Papo Ligeiro, 16 de abril de 2009
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Desde 1992 a Ferrari não iniciava uma temporada com resultados tão inexpressivos. Nas duas primeiras corridas do campeonato 2009, sequer um pontinho. E bastou tal retrospecto para o site do jornal italiano Gazzetta dello Sport – veículo sempre disposto a bombardear a compatriota, lançar uma enquete sobre quais seriam os pilotos ideais para a equipe de Maranello. Numa lista de cinco volantes, o mais votado foi Fernando Alonso. O espanhol da Renault ficou com 42% da preferência dos internautas, seguido por Robert Kubica, da BMW, com 24,6%. A atual dupla da Ferrari cravou somente terceiro e quarto lugares, respectivamente com Felipe Massa (16,8%) e Kimi Räikkönen (8,9%). Atrás dos ferraristas, apenas o campeão de 2008, o inglês Lewis Hamilton (8,6%). Ou seja, nada menos que 74,3% dos eleitores querem ao menos uma alteração no quadro de pilotos da mais tradicional equipe da Fórmula-1.
Bem além de qualquer marca, fato é que tal pesquisa veio, no mínimo, em momento nada propício. Engana-se quem pensa que a relação entre torcedores e uma equipe, em qualquer esporte, é restrita ao amor. Há espaço ao ódio e os resultados geralmente determinam qual sentimento irá sobressair. A fase da Ferrari não é boa e é natural até que, como protesto dos fãs, a corda estoure por todos os lados da carga. Inclusive ao dos pilotos, que, até provem-me o contrário, são meras vítimas de um carro longe da tradição da gigante italiana e de grosseiras táticas de corrida. Não à toa, a cúpula da Ferrari já trocou estrategista. Saiu Luca Baldisserri, que agora ficará de olho no desenvolvimento do modelo F60 na fábrica do time, em Maranello; entrou Chris Dyer, engenheiro do carro de Michael Schumacher nos áureos tempos do alemão na escuderia. Figura que, creio eu, suprirá bem uma lacuna que outrora ocupada por Ross Brawn.
O acontecimento que melhor resume as debilidades estratégicas da Ferrari nos Grandes Prêmios nesse ano ocorreu com Kimi Räikkönen, na Malásia. Na volta 18, diante da iminência de chuva, a Ferrari decidiu trocar os pneus do carro do finlandês, de slicks aos de chuva intensa. Detalhe é que o dilúvio só pintou quatro giros mais tarde. No período, Räikkönen foi mais de um minuto mais lento que o líder, o inglês Jenson Button – que manteve-se em pista com slicks. De quebra, quando o toró começou, os pneus do bólido do ferrarista já estavam aos frangalhos. Explica-se: com chuva há um sensível resfriamento no asfalto, algo que permite à Bridgestone fabricar compostos para tal condição climática com um composto mais mole que o presente nos slicks. No seco, os benditos trabalham sob temperaturas maiores e tendem a se esfacelar ao longo de poucas voltas.
Outro culpado pelo apagado início de campeonato da Ferrari é o modelo F60. O carro não consta entre os mais rápidos e confiáveis do grid, tampouco mostrou em Melbourne e Sepang alguma evolução em relação ao antecessor, o F2008. Muito diferente das rivais, que evoluíram. E muito. Atual líder do Mundial de Pilotos e de Construtores, a Brawn era uma Honda sem brilho até 2008; quando pontuava era digno de festa, espetáculos pirotécnicos. Até o momento, o time de Ross Brawn mostrou-se o número um de 2009. Não muito distante vem a Toyota, apenas quinta força da temporada anterior. Red Bull e Williams também avançaram consideravelmente em relação ao ano passado.
Ao menos, cabe um alento. O mexe-mexe-mexe no regulamento alterou a hierarquia do certame de tal forma que a BMW – ou BMW Sauber, se prefereir, é a única das três forças do mundial de 2008 a mostrar rendimento equivalente nas pistas durante a atual e recém-nascida temporada. Além da Ferrari, a McLaren também vai mal. O chassi do carro de Woking mostra-se instável, atrapalhando a potência do motor Mercedes – que puxa que é uma beleza no equilibrado carro da Brawn. Dai, podemos imaginar o que esperar da McLaren quando eles acertarem a mão na aerodinâmica de seu bólido.
No final das contas, creio que não há motivo para desespero. Ainda faltam 15 etapas e, mesmo com a legalidade dos até outrora famigerados difusores de Brawn, Toyota e Williams, arrisco a dizer que muita coisa vai mudar nas pistas. Inclusive o rendimento da Ferrari. Não é possível saber quando, como e quanto vai melhorar. E também não será fácil. Mas, mesmo sem o elenco mágico dos tempos de Michael Schumacher – e com a limitação de testes durante o ano, o time de Maranello ainda reúne alto investimento e profissionais de primeira linha. Incluso pilotos.
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Torcida especial pelo Rubinho- Torço muito pelos pilotos brasileiros. Isso é mais do que sabido. Contudo, na China, terei uma torcida especial por um deles. Trata-se de Rubens Barrichello. O Brasil tem 99 vitórias na Fórmula-1 e nada mais justo do que a centésima ficar para um piloto que tão bem representou o País desde a morte de Ayrton Senna.
Picante demais- Prometo, assim como meus colegas de imprensa, entrar na discussão sobre a eventual desonestidade de Hamilton nas pistas. Mas como minha opinião sobre o tema é, digamos, um pouco picante, deixo um período de preparação psicológica a você… Favor, não perca.
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