Papo Ligeiro, 13 de maio de 2003
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Em diversos campos da vida, a superação está ligada à realização, sentir-se acima das barreiras imagináveis. No automobilismo pode ser expressa por meio de um piloto que, mesmo diante da inferioridade do seu carro e diante de um adversário de peso, obtém a vitória - mesmo que seja a popular “vitória moral”. Mas superação nas pistas também pode ser exemplificada de outras maneiras. E uma dessas ocorreu no domingo, pouco antes da etapa de Lausitzring de Champ Car. O italiano Alessandro Zanardi, que perdeu as pernas após acidente em prova da categoria realizada no oval alemão, em 2001, participou de uma exibição com um modelo Champ Car adaptado, com controles manuais.
Pode até parecer pouco para um profissional que faturou dois títulos na categoria norte-americana e beirou o sucesso na Fórmula-1. Mas as 13 voltas completadas no circuito germânico representam uma vitória pessoal para esse italiano natural de Bolonha. Mostram que Zanardi já superou o momento mais doloroso de sua vida e está adaptado aos novos desafios.
Engana-se aquele que pensa que a recuperação de Alex não teve “contras” pelo fato de ser rico. Nas primeiras sessões de fisioterapia, o próprio italiano confessou ficar deprimido por mal se equilibrar com as próteses ortopédicas.
Obviamente, as cifras de Zanardi sempre garantiram os melhores tratamentos médicos nos Estados Unidos e na Europa. Porém, sua inquestionável vontade de voltar a andar - adicionada a um bom preparo físico – fez do italiano um paciente muito forte. Prova disso é que três meses após o acidente na Alemanha, o bicampeão de Fórmula Mundial esteve presente numa cerimônia de premiação aos melhores pilotos do ano, promovido pela tradicional revista italiana Autosprint.
Ainda auxiliado por cadeira de rodas e sem muita experiência com as próteses, Alex recebeu, de pé, uma homenagem do veículo. Em outras palavras, lá estava o perseverante Zanardi quebrando a barreira que incomodava, superando o que parecia mais difícil naquele momento.
Outro fator positivo é notar que Alex está psicologicamente bem. O automobilismo está repleto de pilotos que jamais chegaram perto de um carro de competição após sofrerem um sério acidente. E o italiano parecia tranquilo, inclusive com o assédio da imprensa. Quando entrou no carro, não brincou e pisou fundo.
Após completar as 13 voltas que lhe faltaram para completar aquela quase trágica corrida de 2001, Alessandro Zanardi recebeu a bandeirada. Bandeira quadriculada mais demorada da carreira do italiano, porém a que representou a vitória mais saborosa de sua vida.
Caro campeão, temos muito a aprender contigo!