Papo Ligeiro, 12 de março de 2003
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Desde as últimas semanas, McLaren e Minardi protagonizam um duelo na Fórmula-1. Se a disparidade na competitividade dos times nas pistas nunca permitiu que houvesse uma disputa na área esportiva, Ron Dennis, diretor esportivo da McLaren, e Paul Stodartt, dono da Minardi, estão envolvidos em polêmica por causa de US$ 16 milhões referentes a direitos de imagem do último campeonato, cedidos pela Formula One Management (FOM).
Entender a confusão é fácil. O valor pertencia à Arrows Grand Prix, décima entre os Construtores no ano passado. Mas como o time de Leafield faliu, a Minardi, 11º lugar nos Construtores, solicitou o repasse da quantia para seus cofres. A Minardi passa por séria crise financeira – durante a pré-temporada cogitou-se que o dinheiro da equipe renderia apenas até a etapa de San Marino, quinta do ano – e o time fundado por Giancarlo Minardi precisa da verba da FOM para incrementar o orçamento na atual temporada. Bastaria o aval de Max Mosley, Bernie Ecclestone e das equipes da categoria. Mas, segundo Stodartt, Ron Dennis não teria assinado o documento.
Mais que ignorar a única possibilidade de uma equipe humilde, Ron minimizou a importância do time de Faenza. “O que esse time já fez pela Fórmula-1?”, declarou.
É verdade. A escuderia italiana jamais foi brilhante na F-1. Mas há de se reconhecer dois fatos. Primeiro: o time fundado em 1985 é o quarto mais antigo dos que disputam a temporada. Já o outro fator é a presença de uma clausula no Pacto de Concórdia (firmado entre FIA, FOM e equipes do campeonato) que exige um mínimo de 20 carros por temporada. Sem a Minardi, pelo menos dois times teriam de colocar três carros nas pistas.
Em princípio, a ideia é atraente. Especialmente aos três brasileiros que atuam como pilotos de testes. Imagine Felipe Massa guiando pela Ferrari ao lado de Michael Schumacher e Rubens Barrichello? Ou Ricardo Sperafico disputando provas pela Williams? Ou Ricardo Zonta pela Toyota? Mas do que valeria se, segundo o próprio regulamento, contabilizariam apenas os pontos obtidos pelos dois pilotos principais da equipe? Aliás, a presença de um terceiro carro em escuderias como Ferrari e McLaren apenas aumentaria a distância entre as “grandes” para as demais concorrentes. E isso em época que a F-1 parece recuperar a competitividade de suas melhores épocas.
Na quinta-feira passada, Ron Dennis e Paul Stodartt se reuniram e deram um “tempo” na confusão. Dennis recuou e desejou “nada a não ser um futuro positivo” para o dirigente da Minardi. Arrependimento, falsidade, nenhuma das anteriores? (Precisa dizer ?!).
Ron Dennis é um profissional vencedor e de rara capacidade no paddock da F-1. Mas não há como negar que o dirigente está no rol dos maiores azedumes da categoria.