Schumacher não tem que parar

Papo Ligeiro, 7 de outubro de 2003

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Qual é o momento ideal para se aposentar? Essa é uma questão que sempre acompanha profissionais de qualquer esporte, inclusive do automobilismo. E na segunda-feira, o escocês Jackie Stewart garantiu que esse é o melhor momento para Michael Schumacher abandonar as pistas. De fato, poucos pilotos construíram uma carreira tão bela no automobilismo mundial quanto Stewart. No entanto, ver Schumacher fora de um monoposto de competição seria um desperdício.

Prestes a completar 35 anos - idade um bocado avançada para o atual “padrão juvenil” da categoria – o talento de Schumacher continua irretocável. E mais do que a velha rapidez, a frieza do alemão, fruto de 13 temporadas na Fórmula-1, parece ainda crescer a cada corrida. Prova disso é que, mesmo abalado pela morte da mãe, ocorrida pouco depois do treino oficial do Grande Prêmio de Ímola, Michael fez apresentação soberba no dia seguinte e venceu a prova realizada no circuito samarinense.

Outro exemplo do fantástico profissionalismo e poder de concentração nas pistas de Schumi ocorreu na etapa de Monza. Michael chegava ao circuito italiano vivendo uma fase pouco produtiva. Há cinco corridas não vencia, a três não beliscava um pódiozinho e começava a ter a liderança do campeonato fortemente ameaçada por Juan Pablo Montoya e Kimi Räikkönen. “O que acontece com Schumacher? É o fim da era dele na Fórmula-1?” era algo bastante comentado. Aproveitando do apoio da sempre fiel torcida ferrarista, o germânico cravou a pole com apenas cinco centésimos de vantagem a Montoya e venceu a corrida praticamente de ponta-a-ponta.

Uma resposta ao estilo “Pois é, pessoal. Eu ainda estou por aqui...!”.

Em Indianápolis, Schumi reverteu um quadro nada favorável. Largando apenas em sétimo, foi conservador em todos os momentos da corrida, não cometeu nenhum deslize com pista molhada e ficou apenas um ponto da conquista do hexacampeonato. Mesmo que não conquiste esse pontinho em Suzuka - algo praticamente impossível pois toda estrutura ferrarista estará voltada para essa decisão, Michael já conseguiu calar os “críticos de plantão”. Mostrou que é um piloto extremamente combativo, mesmo com equipamento que não exerça domínio sobre os adversários.

Evidentemente, a Fórmula-1 viveria sem Schumacher. E até ganharia em equilíbrio. Para comprovar isso basta lembrar da temporada de 1999, quando o alemão fraturou a perna direita em acidente no circuito de Silverstone. O que se viu naquele ano foi boa alternância de vencedores, provas disputadíssimas e instantes em que até quatro pilotos lutavam pelo caneco. Contudo, a presença do hexacampeão enriquece o elenco da F-1, uma vez que é o único remanescente de uma geração que tinha nomes como Ayrton Senna, Alain Prost, Nélson Piquet e Nigel Mansell.

Acredito plenamente que Schumacão não vai seguir tão cedo o conselho de Sir Jackie. Não apenas porque é favorável no âmbito financeiro - por mais que tenha um patrimônio estimado em US$ 3,6 bilhões, mais alguns milhões no bolso não fazem mal a ninguém! Mais que isso, Schumi ainda sente prazer em pilotar. E enquanto amar a profissão, podem ter certeza que ele vai continuar nas pistas.

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