Papo Ligeiro, 20 de maio de 2003
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Fiquei surpreso com a quantidade de mensagens de leitores que recebi nas últimas duas semanas abordando a permanência de Michael Schumacher na Ferrari até 2006. Alguns, generosos, me elogiavam, afinal já tinha garantido na coluna “Porque Schumacher não pára em 2004”, publicada no ano passado, que o alemão iria continuar nas pistas ao término da temporada 2004. Já a maioria perguntava: o que muda com Schumacher na Fórmula-1 até 2006?
Mudar, não muda nada. Mas para a Fórmula-1, de fato, trata-se de uma excelente notícia.
Schumacher é o único remanescente de uma geração comandada por nomes como Ayrton Senna, Alain Prost, Nelson Piquet e Nigel Mansell. Aliás, pilotos que o ferrarista ousou desafiar no início de sua carreira na F-1, com doses excessivas de talento e rapidez. E atuações convincentes como a do último GP, em Montreal, mostram que o alemão ainda está no auge, capaz de alcançar 101% de seu potencial - que, cá entre nós, é imenso.
É verdade que a categoria não “morreria” se o ferrarista pendurasse o capacete. Basta lembrar da temporada de 1999, quando Michael fraturou as pernas, em acidente no Grande Prêmio da Inglaterra. O que se viu no restante daquele ano foi forte alternância de vencedores, corridas bastante disputadas e momentos em que até quatro pilotos (Mika Hakkinen, Eddie Irvine, David Coulthard e Heinz Harald Frentzen) lutavam pelo título. No entanto, a saída de Schumi em 2004 causaria um “vazio” semelhante ao deixado pelo escocês Jackie Stewart. Ver o alemão longe das pistas seria um desperdício de talento de um profissional ainda jovem, com muito a oferecer ao esporte.
Assim como a Fórmula-1 - e também a torcida pelo bom automobilismo, a Ferrari sai no lucro com a decisão de Michael. A escuderia continuará com um de seus carros nas mãos de um homem que conquistou confiança por Maranello e tirou a escuderia italiana de uma fila de 21 anos sem o título do mundial de Pilotos.
Pois é, o alemão não pára mesmo em 2004! Ruim para a legião “anti-Schumacher” e todos pretendentes ao reinado do alemão. Pior ainda para Barrichello, que, agora se quiser um título mundial pela Ferrari, terá inevitavelmente de encarar um companheiro de equipe chamado Michael Schumacher.