A nova Coopersucar

Papo Ligeiro, 19 de fevereiro de 2003

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Desde que Emerson Fittipaldi anunciou a criação de sua equipe na Champ Car, a Fittipaldi-Dingman, no início do ano, os mais saudosistas certamente lembraram dos primeiros passos do time Coopersucar-Fittipaldi de Fórmula-1. Ter uma equipe vencedora numa categoria top do automobilismo internacional é um sonho antigo do torcedor brasileiro.

Ao contrário do que muitos cultivam, o projeto de F-1 dos irmãos Fittipaldi não tinha absolutamente nada de ruim. Pelo contrário. Era até ousado. Tão ousado que rendeu o apoio do Governo, por meio de patrocínio da Coopersucar, em uma época fortemente marcada pelo militarismo.

Bons nomes também marcaram presença na equipe brazuca. Na temporada de estreia, em 1975, o trabalho dentro – e fora – das pistas ficou com o competente Wilson Fittipaldi Jr.. Nos cinco campeonatos seguintes, os carros tupiniquins contaram com o mano Emmo, bicampeão da categoria e, inquestionavelmente, um dos melhores pilotos da época. Já no quesito técnico, o time exibia, entre alguns profissionais de destaque, o ótimo projetista Ricardo Divila.

O grande fator que contribuiu para o fracasso do Brazilian Team foi justamente a concorrência. Divila era excelente projetista, mas a Ferrari contava com um gênio chamado Mauro Forghieri. A injeção financeira da Coopersucar era boa, mas nem se comparava a de uma empresa árabe que despejou caminhões de dinheiro na Williams e abriu alas para o time de Sir Frank ser uma potência da F-1 a partir dos anos 80. Emerson era um piloto fantástico, mas começava a se desmotivar por não disputar mais vitórias contra Niki Lauda, Ronnie Peterson, Jody Scheckter, James Hunt...

De fato, a Fittipaldi-Dingman nasce com melhores chances que a Coopersucar-Fittipaldi. Se por um lado o time não encanta tanto quanto o “antecessor”, a equipe corre na disputada e equilibrada Champ Car (Fórmula Mundial). Mas não havia equilíbrio na F-1 dos anos 70? Sim, mas para uma equipe vingar em território europeu, especialmente na categoria da FIA, é complicado até mesmo para italianos, franceses, ingleses e alemães. Imagine para uma equipe de uma pátria como o Brasil, onde resultados adversos a vitórias sucessivas logo de estreia viram tragédia e motivo de cobranças cavalares por parte de torcedores e imprensa?

Evidentemente, a Fitti-Dingman ainda tem que lutar por um bom equipamento. A opção pelo chassi Reynard, que anda em baixa na Fórmula Mundial, é arriscada. Mas Hoover Orsi já foi escalado para desenvolver o carro. O piloto do Mato Grosso do Sul, campeão de Fórmula-3 sul-americana em 1999 e Toyota Atlantic em 2001, é profissional competente e ajudará muito. Outra boa escolha foi Tiago Monteiro como titular. O trabalho do português na Fórmula-3000 Internacional não foi dos melhores, mas trata-se de um piloto veloz e, agora, longe da popular pressão do principal certame de acesso à F-1.

Lembro bem da primeira vez que vi o lusitano em ação. Foi na antepenúltima etapa da temporada 2000 de F-3 inglesa, na Bélgica. Era a primeira prova de Monteiro na categoria - na época, competia regularmente na F-3 alemã – e, guiando como veterano, desfilou boa técnica no desafiador traçado de Spa-Francorchamps. No final, venceu de ponta-a-ponta, com 1s6 de vantagem para Antônio Pizzonia, que assegurou o título da temporada com o resultado.

Ver a Fitti-Dingman faturar o campeonato é muita pretensão. Porém as chances de vitórias e pódios existem. Emerson está trabalhando com toda competência para isso e sua presença nos boxes, indiretamente, faz com que o torcedor brasileiro tenha mais um motivo para acompanhar a Champ Car. E quem sabe não faremos festa igual a do segundo posto de Emmo com um carro brasileiro no GP de Jacarepaguá de 1978 para comemorar um triunfo... “luso-brasileiro”!?

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