Nem inexistente, nem forte em 2004

Papo Ligeiro, 12 de dezembro de 2003

<ARTIGO ANTERIOR ARTIGO POSTERIOR> LISTA DE ARTIGOS

A sexta-feira da próxima semana será um dia crucial à história da Champ Car. Quando os atuais acionistas da categoria norte-americana sentarem-se ao redor de uma mesa e decidirem se venderão ou não suas ações para o grupo Open Wheels Racing Series (OWRS), o futuro do segundo certame de automobilismo mais popular do mundo estará em jogo. Mas, apesar das expectativas - e até mesmo do negativismo de muitos ligados à categoria - asseguro que a antiga Fórmula Indy não morrerá. Contudo, também não será forte em 2004.

Garantir que a Fórmula Mundial continuará existindo não é mero exercício de “futurologia”. Dois fortes fatores levam a tal conclusão. O primeiro é que, mesmo com o valor da categoria muito aquém de seus anos mais “rentáveis”, a dívida da entidade pressiona ao “sim” dos acionistas. Certamente vocês perguntam se míseros 56 centavos de dólar - valor estimado de cada ação - seduzem alguém. A resposta é sim, afinal, muitos investidores possuem milhares ou milhões de ações. E é melhor aceitar uma proposta assim, do que ver seu investimento ruir diante de possível falência da categoria. Já o segundo - e mais concreto - é que cada atitude da OWRS faz crer que o grupo até já teria comprado a Fórmula Mundial.

Desde o anúncio de alterações no calendário até a redução de custos no próximo ano. E como poderiam anunciar alterações em uma categoria se não a comandassem ?!

Mas, mesmo com a sobrevivência garantida, a Mundial não sairá do pesadelo e começará uma fase mais difícil. Existe a necessidade de capitalizar parcerias fortes para o campeonato voltar a ser financeiramente viável. Lucros para a OWRS já em 2004, nem pensar... Outra preocupação é o grid. Assim como na Fórmula-1, a categoria estadunidense possui um “Pacto de Concórdia”, garantindo que pelo menos 18 carros alinhem no grid das corridas. Dos 19 monopostos que disputaram o último campeonato, três estão momentaneamente fora. Os dois da American Spirit, equipe que beira à falência, e um da Patrick, time que está à venda.

Preocupação, sim. Problema não. A própria OWRS anunciou que pretende diminuir ainda mais os custos por temporada - avaliada em quatro milhões de dólares por carro. Com isso, não será exagero algum ver equipes remanescentes disponibilizando mais carros e até algumas equipes de certames de base dos Estados Unidos e da Europa partindo para o campeonato que já rendeu quatro títulos para pilotos do Brasil (dois de Gil de Ferran e um para Emerson Fittipaldi e Cristiano da Matta, cada).

A verdade é que a Fórmula Mundial continuará existindo em 2004. Entretanto com pouca pulsação e pensamento totalmente voltado em ser grande apenas em médio prazo.

<ARTIGO ANTERIOR ARTIGO POSTERIOR> LISTA DE ARTIGOS