Papo Ligeiro, 3 de dezembro de 2003
<ARTIGO ANTERIOR ARTIGO POSTERIOR> LISTA DE ARTIGOS
Não adianta. Mesmo com a criação e crescimento de algumas categorias de automobilismo pelo mundo, a Fórmula-1 é o desejado glamour, uma obsessão, praticamente o objeto de desejo de dez em dez jovens pilotos. Para alguns, algo distante, quase uma utopia. Para outros, algo bastante próximo, como é o caso de Christian Klien.
Christian quem? Certamente esse nome ainda deve soar como uma incógnita para muitos fãs de automobilismo. Aliás, o mesmo tom de interrogação foi levantado por parte da cúpula da Jaguar quando a nova parceira da equipe da Ford, a Red Bull, apresentou Klien como um de seus pupilos para a Fórmula-1. Mas bastou a desistência de Alexander Wurz na busca por um posto no time de Milton Keynes e o excelente rendimento de Christian nos testes da semana passada, em Valencia, para que o jovem fosse anunciado como segundo piloto da equipe para a próxima temporada.
Austríaco, de 20 anos, Klien se destacou nas categorias de base do automobilismo europeu. É bem verdade que o início foi discreto, durante três temporadas na Fórmula BMW. Mas o piloto deu a volta por cima com o título alemão de Fórmula Renault, no ano passado. Em 2003, foi vice-campeão do revitalizado e competitivo campeonato europeu de Fórmula-3, atrás apenas de Ryan Briscoe (lembram dele ?!), atual piloto de testes da Toyota.
Para ter uma noção do que o resultado desse austríaco significa, vale lembrar que Nico Rosberg, filho do campeão da temporada de 1982 de Fórmula-1, o finlandês Keke Rosberg, e que, assim como Nelsinho Piquet, testará um Williams na pré-temporada, foi oitavo colocado na classificação.
Verdadeiramente, números e conquistas, especialmente em categorias de base, nem sempre podem condizer com o talento de um piloto. Entretanto, Klien não merece destaque apenas pelos números. De fato, o austríaco mostrou serviço nas pistas.
Uma das oportunidades em que tive o prazer de acompanhar isso foi no Marlboro Masters, de Fórmula-3,
Christian Klien é mais um talento que chega à principal categoria de esporte a motor no mundo. Para a Jaguar resta apenas paciência para ver o trabalho do europeu florescer, assim como Sauber e McLaren fizeram com Kimi Räikkönen. Evidentemente, Klien não fará milagres ao volante de um carro da Jaguar. Mas além de colocar um talento em seu cockpit, a Jaguar “contenta” a um de seus patrocinadores, algo fundamental em uma categoria onde o capitalismo reina absoluto.