Papo Ligeiro, 2 de julho de 2003
<ARTIGO ANTERIOR ARTIGO POSTERIOR> LISTA DE ARTIGOS
Escrevo essa coluna pouco depois do Grande Prêmio da Europa, nona etapa da temporada 2003 de Fórmula-1. Porém não abordo a corrida repleta de disputas interessantes, o bom desempenho da Williams, o toque entre Michael Schumacher e Juan Pablo Montoya ou a performance de Kimi Räikkönen, digna de um futuro campeão. Falo de um assunto de interesse nacional: o atual trabalho e as perspectivas de Cristiano da Matta na categoria.
Recentemente, um tradicional veículo da mídia segmentada em automobilismo publicou uma matéria na qual afirmava que o futuro de Da Matta não era dos mais promissores. Somente resultados convincentes ajudariam o piloto de Minas Gerais a cumprir todo vínculo contratual com a equipe japonesa – que se estende até 2004. Tudo bem. Qualquer profissional de qualquer área tem a rua como destino quando não atinge metas pré-estabelecidas. Bons resultados são necessários. Mas classificar o futuro de Cristiano como “não dos mais animadores” é algo ridículo. O trabalho de Kiki ao volante do Toyota número 21 tem sido marcado pelos “tais resultados”, esforço e dedicação.
Em treinos oficiais, o mineiro é, em média, 410 milésimos mais lento que o companheiro de equipe, o francês Olivier Panis. Pode parecer uma “avenida” entre pilotos de um mesmo time, mas grande parte dessa desvantagem é fruto do novo sistema de treino para definição do grid. Com apenas uma “volta rápida” por piloto, Panis - o quinto mais experiente da categoria, com 134 GPs disputados – é mais beneficiado que o brasileiro, estreante na Fórmula-1. Além disso, a Toyota vem distribuindo estratégias diferentes para seus pilotos durante as corridas. Enquanto o brasileiro parte com boa quantidade de gasolina no tanque do monoposto, visando menos paradas para reabastecimento durante as provas, Panis é a aposta dos japoneses para estratégias mais agressivas, partindo aos treinos com pouca gasolina. Só para lembrar, cada
Muito além da estratégia, a verdade é que os resultados estão surgindo para Cristiano. Aliás, o brasileiro “participou” dos quatro pontos obtidos pela montadora japonesa nesse campeonato. Três foram somados com o sexto lugar no Grande Prêmio da Espanha, sua melhor apresentação na F-1 até o momento. Já o outro foi na etapa do Canadá. Da Matta tinha a oitava posição praticamente garantida quando, apenas cinco voltas antes da quadriculada, abandonou com problemas no freio do carro. O ponto caiu nas mãos de Panis, único do francês nas nove provas disputadas.
Outro fator que acaba com a “teoria” do veículo é o belo histórico que Cristiano possui com a Toyota nos Estados Unidos, em uma parceria existente desde 1999, quando o mineiro estreou na Fórmula Mundial ao volante de um carro do time Arciero Wells, equipado com motor da fábrica japonesa. Em 2000, na etapa de Chicago, o brasileiro foi responsável pela segunda vitória da Toyota como distribuidora de propulsores na categoria - correndo pela modesta PPI Motorsports. No ano seguinte, já pela Newman-Haas, foi o melhor piloto com carro equipado por motor Toyota na classificação: quinto lugar, com três vitórias. Já em 2002, Cristiano carimbou o passaporte para a Fórmula-1 ao conquistar o primeiro título da montadora na Champ Car.
Nenhum outro piloto fez tanto pela Toyota. A montadora oriental sabe do profissional promissor que tem em mãos e, portanto, dará tempo suficiente (leia-se dois anos) para o brasileiro desenvolver um bom trabalho. E resta ao mineirinho manter o atual ritmo – algo que não duvido.
Cristiano faz bonito e está no rumo certo na Fórmula-1. Mas sempre foi difícil agradar a gregos e troianos.
<ARTIGO ANTERIOR ARTIGO POSTERIOR> LISTA DE ARTIGOS