E, para variar, meu top 10

Papo Ligeiro, 4 de novembro de 2003

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Tenho o hábito de ler textos de diversos colunistas de automobilismo, desde os consagrados até aqueles que, sabe-se lá porque, ainda não tiveram a oportunidade de deslanchar no jornalismo. E, nos últimos dias, notei que a maioria - para não dizer “quase todos” – já escolheram os dez melhores pilotos da temporada 2003 de Fórmula-1.

Para não continuar no time dos que não fizeram seu top-ten, segue minha lista. No entanto, decidi expor os dez melhores de 2003 de modo diferente de meus colegas: em ordem decrescente e em duas partes – para “detalhar” mais a participação dos melhores pilotos do ano na F-1.

10º lugar: Ralf Schumacher. Mais uma temporada repleta de - poucos - altos e - muitos - baixos. Embora tenha sido o único piloto que conseguiu pontuar nas dez primeiras provas da temporada, Ralf só emplacou bons resultados a partir da oitava, em Montreal, quando chegou em segundo lugar. Nas provas seguintes, em Nürburgring e Montreal, terminou em primeiro e deu a impressão que iria combater o irmão Michael. Pura ilusão. Após ficar fora da zona de pontos em Silverstone e Höckenheim, Ralf perdeu espaço para o companheiro de Williams, Juan Pablo Montoya, na disputa pelo título.

Schumacher foi o piloto que mais ultrapassou em 2003: foram 46 nas 16 corridas do ano – média de 2,875 por GP. Boa parte aconteceu na etapa húngara, quando caiu para o fim do pelotão após um acidente na largada. Numa sensacional recuperação, o alemão executou várias ultrapassagens no travado circuito de Hungaroring e salvou um quarto lugar. Mas fica uma questão: só isso basta...?

9º: Jarno Trulli. Embora tenha ficado em segundo plano de Fernando Alonso, Jarno Trulli viveu sua melhor temporada na Fórmula-1. Beneficiado pelo bom conjunto da Renault, o italiano se mostrou veloz nas classificações, largando 11 vezes entre os seis primeiros colocados. Foi oito vezes mais rápido que o companheiro de Renault, Alonso. Além do bom desempenho em treinos, o piloto de 29 anos foi responsável por duelos memoráveis no ano, como em Höckenheim. Mesmo com a queda de rendimento do carro após o último pit, JT assegurou a terceira posição de modo fantástico, defendendo-se de constantes ataques de Michael Schumacher e Coulthard durante dezenas de voltas.

Dono de uma vaga desejada, Trulli sabe que não poderá deixar Alonso “escapar” muito no próximo campeonato. Para isso, o italiano de Pescara terá de buscar mais constância na pilotagem durante as corridas.

8º: Cristiano da Matta. A chegada de Da Matta à Fórmula-1 após o título na Champ Car foi cercada por um clima de incógnita. Contudo, quem acompanhou ao menos uma corrida da temporada pôde notar que o brasileiro mostrou “a que veio”. Usando o campeonato de estreia como laboratório na obtenção de experiência na F-1, Kiki buscou acumular a maior quilometragem possível. E teve sucesso nessa função, pois completou 12 das 16 provas do ano. Aliás, a inexperiência não impediu o estreante de conquistar bons resultados. Além do terceiro lugar no grid do GP do Japão, Cristiano pontuou em quatro corridas e somou quase o dobro de pontos que o companheiro de equipe, o francês Olivier Panis (dez a seis). Assim como nos tempos de Fórmula Mundial, Da Matta obteve novo feito histórico à Toyota. Em Silverstone, onde teve sua melhor corrida na temporada, liderou por 15 voltas, sempre respondendo à altura a pressão de Kimi Räikkönen. Acostumado à Fórmula-1 e extremamente admirado pelos cartolas de uma equipe bastante disposta a investir na categoria, muito mais certamente virá em 2004.

7º: Jenson Button. Assim como Da Matta, Button superou a desconfiança daqueles que classificaram o bom rendimento em 2002 pela Renault como mero “fogo de palha”. Criticado pelo ciumento Jacques Villeneuve ao início da temporada 2003, mostrou maturidade para evitar um combate verbal com o canadense. Mais que isso. Tirou proveito da rivalidade, logo se tornando o número um da equipe e sendo fundamental na conquista do quinto lugar no campeonato de Construtores. Em Indianápolis teve a melhor apresentação da carreira e liderou por 15 voltas - com asfalto molhado. Tinha lugar garantido no pódio até abandonar, por causa de problemas no motor Honda de seu BAR.

Com a tendência de maior investimento da BAR e a entrada de um piloto que não oferece grande rivalidade, o piloto da terra dos Beatles certamente beliscará alguns pódios no próximo campeonato.

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