Papo Ligeiro, 6 de março de 2003
<ARTIGO ANTERIOR ARTIGO POSTERIOR> LISTA DE ARTIGOS
Faltam poucos dias à abertura da 54ª temporada de Fórmula-1 e a expectativa é grande. Além de revelar até que ponto as mudanças da FIA em regras da categoria serão capazes de resgatar a competitividade do campeonato de esporte a motor mais tradicional do mundo, o Grande Prêmio da Austrália será ponto de partida para uma disputa interessante: a briga pelo quarto lugar no mundial de Construtores.
Excetuando, logicamente, um desempenho fora do comum de outras concorrentes ou de uma “catástrofe aerodinâmica” em seus equipamentos, Ferrari, McLaren e Williams ocuparão as três primeiras colocações entre as equipes. Portanto, resta a Renault, Toyota, Sauber, Jaguar, Jordan e BAR disputarem o título da “Fórmula 1-B” (ou C, caso a Ferrari exerça domínio semelhante ao de 2002).
A Renault atende como principal favorita. O modelo R23 é considerado em termos de rendimento nas pistas um passo à frente em relação ao antecessor, o R22, que já rendeu bons resultados ao time francês no ano passado. A dupla de pilotos, formada pelos velozes Jarno Trulli e Fernando Alonso, é extremamente talentosa, top de linha.
A excelente estrutura da Renault permite apontá-la como a única equipe que pode rivalizar o “trio de ferro” em algumas ocasiões.
Forte estrutura também possui a Toyota. O time japonês, porém, terá de trabalhar muito se quiser superar a rival francesa. Em 2002, os orientais somaram apenas dois pontos. Além disso, a inexperiência de Cristiano da Matta pode ser um problema. Embora não esteja privado de conseguir bons resultados, o atual campeão da Champ Car terá uma temporada de adaptação, correndo pela primeira vez em diversos circuitos, como Melbourne e Sepang.
A Sauber desponta com chances, no mínimo, de defender a quinta posição entre os Construtores, em 2002. Em tempos de crise mundial, o time de Peter Sauber conquistou novos patrocínios, além de manter os antigos. Dinheiro, em grande parte, investido na compra dos poderosos motores Ferrari, campeões de 2002. No quesito pilotos, a equipe perdeu a condução arrojada e encantadora de Felipe Massa, mas ganhou a rapidez e experiência de Heinz Harald Frentzen, que pode ser essencial, inclusive, para o amadurecimento do excelente companheiro de equipe e compatriota Nick Heidfeld. Vale a pena ficar de olho!
Após ser a maior decepção do campeonato anterior, a Jaguar efetuou diversas alterações. E a principal está no quadro de pilotos. Com as entradas de Mark Webber e Antônio Pizzonia, a Jaguar, pela primeira vez, terá pilotos bons e promissores, que pretendem mostrar serviço. Os diversos problemas aerodinâmicos do modelo R3 parecem já corrigidos e, somados a um poderoso orçamento anual de US$ 100 milhões, fica evidente que o time da Ford possui chances de ficar entre as quatro melhores.
Uma das equipes mais tradicionais da F-1 moderna, a Jordan, corre por fora. E para tentar surpreender, o time passa a contar com uma boa parceria com a Ford na distribuição dos motores Cosworth V10 e com o talento incondicional do italiano Giancarlo Fisichella.
A BAR tem grandes chances de ter em 2003 seu melhor ano na categoria. Agora como única parceira da Honda, o time inglês contará com o modelo 005, um carro superior ao
Ferrari, McLaren e Williams lutando pela ponta. Renault, Toyota, Sauber, Jaguar, Jordan e BAR para ser a quarta força. E a Minardi? Embora tenha mostrado um desempenho satisfatório em alguns testes da pré-temporada e tenha bons pilotos, a equipe de Paul Stodartt continuará segurando a “lanterninha” da Fórmula-1. Pelo menos, por mais um ano.