Controle, maturidade e profissionalismo

Papo Ligeiro, 12 de setembro de 2003

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Após toda a fritura no caso do famigerado quebra da suspensão no Ferrari número dois que pilotava no GP passado, na Hungria, Rubens Barrichello agora é alvo de novo questionamento. Afinal, como será o comportamento de Rubinho nas três etapas derradeiras da temporada 2003 de Fórmula-1? Do que depender dele, sem problemas. Nessa semana, o brasileiro garantiu que, se for necessário – e possível, ajudará Michael Schumacher na disputa do título daquele que é o melhor e mais equilibrado campeonato de F-1 dos últimos 20 anos. Grande exibição de profissionalismo, maturidade e controle emocional.

Verdadeiramente, é impossível afirmar que Barrichello tenha se recuperado totalmente do grande baque de Hungaroring. Entretanto, o brasileiro cresceu muito nos campos pessoal e profissional nos últimos tempos. Aprendeu a tirar lições de bons e, principalmente, de maus momentos nas pistas.

Microfones e câmeras, que antes pareciam meios para o brasileiro desabafar o descontentamento alheio, agora servem para registrar o silêncio do piloto nas ocasiões extremamente adversas. Não que Rubinho tenha criado “nervos de aço”. Mas em ocasiões como a quebra de suspensão na Hungria ele prefere contar até dez, ir até os boxes, bebericar uma água, secar o suor... e apenas depois conversar com os repórteres, de forma técnica e sem dar espaço para “dupla interpretação”.

“Foram problemas hidráulicos. Uma pena mas fica para a próxima”, por exemplo.

Atualmente, Rubens Barrichello é um profissional de grande visão. Sabe que qualquer mal-entendido pode resultar numa malfadada e prematura saída do time de Maranello. E esse, indiscutivelmente, não é o melhor caminho para sua carreira. As demais equipes de primeira linha da Fórmula-1 já têm seus carros ocupados para 2004, exceto a Williams. Com a partida de Juan Pablo Montoya para a McLaren, surge uma vaga no time de Grove. Barrichello é um dos cogitados para substituir Montoya, mas qualquer passo em falso na Ferrari pode inclusive prejudicar as chances do brasileiro na equipe de Frank Williams. Logo, restariam apenas equipes medianas, como Sauber, Jordan e Jaguar - algo que significaria um terrível retrocesso na carreira.

Não tenho dúvidas: a declaração de Rubinho não foi “da boca para fora”. Ele realmente está disposto a ajudar Michael. E podem ter certeza que se precisar ceder posição não será como na Áustria, em 2002. Será de modo discreto. Maduro e profissional, Rubinho não quer mais polêmicas na carreira. Quer apenas acelerar, mostrar serviço e “picar a mula” para onde julgue possível conquistar, ao menos uma vez, o título de Fórmula-1.

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