Confirmação de tendências

Papo Ligeiro, 24 de julho de 2003

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Mais que uma das provas mais interessantes e disputadas dos últimos tempos, o Grande Prêmio da Inglaterra foi fortemente capaz de confirmar algumas tendências da atual temporada de Fórmula-1. A primeira é, sem dúvidas, nossa dificuldade para acertar qualquer tipo de previsão das pistas. Embora atendesse como favorita à vitória, a Williams não encontrou um bom acerto para seus carros em Silverstone. No final das contas, o motor BMW, assim como os pneus Michelin, não fizeram a diferença diante da Ferrari, que dominou o fim de semana de GP inglês. Além disso, a etapa britânica também trouxe à tona o bom trabalho dos brasileiros Rubens Barrichello e Cristiano da Matta, o incrível controle de largada da Renault e a falta de classe dos diretores da Jaguar.

Rubens Barrichello teve um fim de semana fantástico. Acertou a mão no acerto da Ferrari número dois para o traçado inglês desde o treino de sábado, quando arrematou a pole position. Na corrida, manteve forte ritmo e executou pelo menos três ultrapassagens sensacionais, sobre Ralf Schumacher, Jarno Trulli e Kimi Räikkönen. Mostrou mais uma vez que está no melhor momento da carreira, capaz de proporcionar manobras “cinematográficas” e, de quebra, calou a boca a boca dos sempre “críticos-de-plantão”.

Cristiano da Matta conseguiu mais uma proeza para a Toyota na Fórmula-1: liderou as primeiras voltas do time japonês na categoria. Teve uma apresentação muito positiva e ficou na primeira colocação da prova por 15 voltas. Tudo bem que o brasileiro estava com menos combustível no tanque de seu carro – leia-se carro mais leve. Mas segurar, a bordo de uma Toyota, constantes tentativas de ultrapassagem do atual vice-líder do campeonato, o finlandês Räikkönen, da McLaren, é apenas uma exibição do talento desse mineirinho.

A excelente largada do italiano Jarno Trulli, que tomou a liderança de Barrichello, comprova que a Renault tem o melhor “Controle de Largada” da Fórmula-1. Para você, que já não aguenta mais o Galvão Bueno falar disso e não sabe o que é esse negócio, aí vai uma explicação. O controle de largada é um sub-produto do controle de tração, um “chip” que proporciona melhor tração às rodas motrizes do carro no instante da largada, evitando que essas patinem. O aparato é acionado por meio de um botão, geralmente na parte esquerda do volante. Quando o piloto segura o botão do instante em que pára no grid, após a volta de apresentação, até o instante da largada. Técnicos da Renault estimam que o carro do time francês percorra os primeiros 90 metros em apenas quatro segundos!

Já que o assunto é largada – palavra que lembra “deixar” – a Jaguar parece ter esquecido o bom-senso em algum passado remoto. O episódio Antônio Pizzonia foi patético. Nada contra o substituto do manaura na equipe da Ford, o inglês Justin Wilson, pois trata-se de um piloto promissor. Mas rebaixar Pizzonia a piloto de testes – posto que o brasileiro recusou – após ter feito uma boa apresentação em Silverstone é ridículo. E que não venham me dizer que o boato de uma possível briga entre Pizzonia e seu engenheiro de pista foi o pivô do acontecimento, pois a Jaguar já aturou um sujeito falastrão e bem chato por três temporadas.

Começo a achar que a Jaguar não gosta muito de brasileiros...