Com o futuro nas próprias mãos

Papo Ligeiro, 19 de dezembro de 2003

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Após semanas em que as atenções estiveram voltadas para o teste de Nelsinho Piquet pela Williams, o torcedor brasileiro agora começa a se perguntar sobre o futuro de Rubens Barrichello na Fórmula-1. Rubinho possui contrato com a Ferrari até o término da temporada 2004 e ao final do vínculo terá como caminho a Williams ou uma renovação com o time de Maranello. Seja Williams ou Ferrari, o mais importante é que o principal nome do País na categoria desde a morte de Ayrton Senna, em 1994, continuará em um cockpit de equipe grande até a temporada 2005.

Parece pretensão que o futuro de Rubinho esteja ligado a duas das principais equipes da categoria, mas a verdade é que o trabalho do brasileiro ainda é muito bem visto no paddock da Fórmula-1.

A novela Williams, que começou com o anúncio da transferência de Juan Pablo Montoya para McLaren ao término do próximo campeonato, ganhou mais força com as recentes confusões entre dirigentes da equipe e Ralf Schumacher. O relacionamento entre o alemão e o time de FW parece ter azedado de vez e o caminho de Schumaquinho para 2005 deve ser a Toyota. E ainda vale lembrar que Frank Williams é um fã confesso de Barrichello.

Mais que um prêmio ao bom rendimento na Ferrari, correr pela Williams seria um avanço significativo na carreira de Rubens. Não propriamente em termos de equipamento. Mas sim por “liberdade de trabalho”. O time de Grove nunca possuiu grandes atitudes de protecionismo para determinado piloto - pelo menos, não em nível ferrarista. Basta lembrar de grandes guerras entre Alan Jones e Carlos Reutemann, em 1981, Nelson Piquet e Nigel Mansell, em 1986 e 1987, além da mais recente, travada entre Schumaquinho e Juanito nos últimos três campeonatos.

Aliás, guerra que não iria acontecer, fosse Mark Webber, Jenson Button, Cristiano da Matta, George Bush, Saddam Hussein ou qualquer outro o companheiro de Rubinho na Williams. O paulistano amadureceu demais nesses quatro anos de Ferrari nos âmbitos pessoal e profissional. Mostrou que é capaz de aceitar decisões polêmicas da escuderia de Maranello, além de não exibir mais descontentamento aos repórteres - "combustível" que abastecia o diz-que-diz pela imprensa.

Certamente o melhor exemplo da evolução emocional do brasileiro ocorreu após a - absurda – acusação de que sua condução agressiva teria sido responsável pela quebra da suspensão, no Grande Prêmio da Hungria. Ficou calado todo tempo, evitou aumentar a polêmica e falou que, se necessário fosse, ajudaria a Michael Schumacher na próxima corrida.

Na pista, Rubinho incrementou sua condução com mais arrojo. Longe de ter sido o melhor piloto de 2003, o ferrarista mostrou ótimo desempenho. Venceu duas corridas de maneira soberba, executou ultrapassagens impressionantes e se tornou o único companheiro de equipe de Michael Schumacher a superá-lo nas classificações. Em média, Barrichello foi 115 milésimos mais veloz que o hexacampeão na temporada. Além disso, no caso de transferência para a Williams, o brasileiro levaria importantes informações do time de Maranello para Grove, algo que poderia até melhorar a competitividade dos carros de Frank Williams.

Diante dessa possibilidade, a Ferrari contra-atacou nessa semana. O presidente do time italiano, Luca di Montezemolo, declarou ao jornal italiano Gazetta dello Sport que “não há companheiro melhor para Michael Schumacher do que Rubens Barrichello”. O dirigente afirmou ainda: “estamos conversando e, na melhor oportunidade, assinaremos (o estendimento do contrato entre Rubinho e a esquadra)”. Fortes boatos garantem que o paulistano até já teria interrompido negociações com a Williams para assinar novo contrato com o time vermelho, que contaria com cifras “bem mais doces” que as atuais.

Rubens Barrichello pode estar mais perto da Ferrari, mas ainda tem o futuro em suas próprias mãos. Ele poderá escolher entre vencer corridas e ganhar muito dinheiro na Ferrari ou vencer corridas e lutar por campeonatos na Williams. Aliás, não irei negar que minha torcida é pela segunda opção.

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