Cenas inesquecíveis e crescimento para Barrichello

Papo Ligeiro, 29 de abril de 2003

<ARTIGO ANTERIOR ARTIGO POSTERIOR> LISTA DE ARTIGOS

Após sair mais lançado do que a Williams de Ralf Schumacher na Variante Alta, a Ferrari número dois, pilotada por Rubens Barrichello, se aproxima do carro do alemão. É uma disputa entre dois pilotos desafetos. Ambos contornam praticamente juntos a Rivazza e toda reta que antecede a curva Traguardo. Nesse ponto, o brasileiro dá um “S” em Ralf, faz a ultrapassagem e garante o terceiro lugar do Grande Prêmio de San Marino.

É verdade que nós, jornalistas, não gostamos de dar o “braço a torcer”. Mas é inquestionável que descrever a bela disputa entre Rubens Barrichello e Ralf Schumacher se tornaria algo difícil até para Nelson Rodrigues. O que dizer então desse que lhe escreve, que nem MTB possui ainda? Portanto, desconsiderem a descrição do primeiro parágrafo... Há acontecimentos que são dignos de mil fotografias, mil repetições de televisão, mas não precisam de uma palavrinha sequer. E o embate na corrida em Ímola enquadra-se nesse caso. Quem assistiu a transmissão da corrida, certamente compreende o que digo.

Assim como o crescimento profissional (e, porque não, emocional) também é inegável que Rubens Barrichello protagonizou grande parte dos duelos mais sensacionais da F-1 nos últimos anos. Quem não se lembra do chuvoso Grande Prêmio da França de 1999, quando o brasileiro, ainda na Stewart, teve pegas espetaculares contra Mika Hakkinen, da McLaren, e Michael Schumacher, da Ferrari? Daquela ultrapassagem sobre os irmãos Schumacher em uma única manobra, em 2000, na Espanha? E a disputa com o próprio Ralf na etapa de Monza de 2001? Coisas de cinema e que dispensam maiores comentários - até para reiterar o que escrevi no parágrafo anterior.

Tudo bem... Rubinho também protagonizou algumas cenas ruins, como nos dois GPs da Áustria em que cedeu posição ao companheiro de Ferrari, o alemão Michael Schumacher, a metros da quadriculada, nos últimos quatro abandonos em Interlagos... Mas na maioria dessas ocasiões, o brasileiro não teve culpa. Ora recebeu ordens de equipe, outrora teve problemas mecânicos no carro, etc.

Há quem possa garantir que cena espetacular não vence corridas e campeonatos (a não ser o “Senna” espetacular!). De fato, é verdade. Basta tomar como exemplo Gilles Villeneuve e Ronnie Peterson, pilotos fantásticos porém rotulados “show man” mas que não obtiveram a consagração máxima de um piloto: o título de Fórmula-1. Entretanto, com Rubens Barrichello é diferente. Os recentes shows de pilotagem revelam, na verdade, a evolução de Rubinho como piloto. Em inúmeros treinos do ano passado, pudemos acompanhar um Barrichello valente, que pisava fundo no acelerador no meio das curvas, saindo mais lançando para a reta e controlando o carro no puro e bom braço!

Atualmente, a chance de Rubens Barrichello superar Michael Schumacher é maior que no início da jornada pela Ferrari. Não é maior ainda porque o alemão é, sob qualquer circunstância, o número um da Ferrari e fim de papo! Rubens tem muito a trabalhar para alcançar o talento de Schumi. E enquanto isso não acontece, nos proporciona bons resultados e cenas inesquecíveis.