Caso Senna

Papo Ligeiro, 4 de fevereiro de 2003

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A Suprema Corte italiana aceitou, no dia 28, recurso feito pela procuradoria de Bolonha e reiniciou as investigações do acidente que culminou com a morte de Ayrton Senna. Embora tenham sido absolvidos nos dois primeiros processos, em 1997 e 1999, Patrick Head e Adrian Newey terão de encarar, novamente, o banco dos réus.

Não chega a ser surpreendente a volta de um processo que nunca pareceu esquecido, dado como encerrado. Até hoje o acidente causa grande polêmica.

Segundo a perícia que investigou o caso, a quebra na coluna de direção que levou a Williams número dois do brasileiro ao muro da Tamburello foi causada por fadiga nesse material. Em outras palavras, houve uma ruptura no cabo que liga o volante aos braços que proporcionam o movimento das rodas. E esse material teria sofrido alteração na etapa de abertura do campeonato de 1994, em Interlagos.

Após Ayrton reclamar de falta de espaço para virar o volante, pois sua mão raspava no cockpit, um complemento teria sido soldado na coluna de direção do carro. Em princípio, problema resolvido.

A conclusão da perícia, entretanto, acabou encarada como “semi-oficial” por dois motivos. Primeiro: o monoposto ficou completamente destruído, impossibilitando análises mais aprofundadas. Segundo: a causa da morte do brasileiro. Senna não morreu em decorrência do choque do Williams que pilotava contra o muro da Tamburello, mas sim por causa de um dos braços da suspensão dianteira direita, que atingiu e perfurou seu capacete – resultando em um grave ferimento na cabeça e considerável perda de massa encefálica do tricampeão. Com isso, Newey e Head foram inocentados. Mas, cá entre nós: se Ayrton não tivesse batido, o famigerado braço de suspensão teria acertado nosso representante...?!

Obviamente, a morte de Senna não foi um crime doloso, ideia que algumas pessoas cultivam desde aquele fatídico 1º de maio de 1994. Aliás, se isso já seria algo extremamente abominável com qualquer “Zé Delatrás”, o que dizer de Ayrton, homem e profissional de valores raros? Mas qualquer negligência deve ser minuciosamente investigada e passível á aplicação de penas cabíveis - como não entendo de Lei, fico por isso mesmo.

Nenhuma investigação trará Ayrton de volta. Mas esperamos que a verdade venha de vez à tona e a justiça prevaleça. Em nome do automobilismo brasileiro e mundial. Em respeito à memória de Ayrton Senna da Silva.

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