Papo Ligeiro, 20 de outubro de 2003
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Na última semana, encontrei um velho amigo de escola fanático por automobilismo. Não o via desde 1998 e somente consegui reconhecer o figura porque continua com o hábito de tingir a cabeleira de loiro, ao melhor estilo Jacques Villeneuve – em tempos punk, lógico. Aliás, na época de escola tamanha era sua admiração pelo campeão de Fórmula-1 em 1997 que ele exigia ser chamado por “Vilanova”. E logo pude comprovar que não havia mudado. Um cumprimento e talvez meia dúzia de palavras bastaram para o “Vila” começar a falar, indignado, sobre a demissão do ídolo pela BAR.
Não que o Vilanova já soubesse que eu era colunista de automobilismo em alguns sites de automobilismo do Brasil e, agora também, de Portugal. Mas é que sempre conversávamos sobre Fórmula-1. Também lembro claramente da alegria após ver o canadense estrear na categoria, de uma frustrada tentativa na criação de um fã-clube e de sua felicidade ao sacar da mochila uma foto em que ele posava orgulhosamente ao lado do piloto, em 1996. Contudo, não vejo a saída de Jacques da BAR como algo negativo. Foi uma boa opção para ambas as partes.
A grande favorecida foi a BAR, claro. Conceder o desejo da parceira japonesa Honda de ver um compatriota num cockpit titular foi algo inteligente. Isso certamente representará maior empenho da montadora oriental no desenvolvimento do motor que fornecerá para a equipe de Brackley na próxima temporada. Além de “aliviar” os gastos anuais, uma vez que o salário de Villeneuve rondava os US$ 20 milhões, menor apenas que o de Michael Schumacher na Ferrari, a BAR ganha um bom - e motivado - piloto.
Logicamente, verdade seja dita. Takuma Sato não é a oitava maravilha do mundo. Mas o ano que teve como piloto de testes serviu como excelente laboratório para obter maturidade. E o mais importante. Sato está motivado com essa oportunidade, algo que melhora o astral da equipe, tão acostumada a um Villeneuve pouco contente nos últimos anos.
A situação para o canadense na BAR estava delicada desde o ano passado. Além do piloto não ter em mãos um carro competitivo, o diretor esportivo da BAR, David Richards, sempre deixou claro não ser entusiasma por Jacques. Com o afastamento do manager do piloto, Craig Pollock, do dia-a-dia da equipe, a situação ficou insustentável. Villeneuve via a estrutura que montaram para ele na chegada à equipe, em 1999, ruir. A pressão por resultados aumentou e continuar na equipe somente com uma redução salarial.
Obviamente, isso influenciou o rendimento do filho de Gilles Villeneuve nas pistas. Após excelentes participações nos campeonatos 2000 e 2001, o canadense marcou apenas quatro pontos em 2002 – contra três do companheiro de equipe, o francês Olivier Panis. Na atual temporada, foi pulverizado por Jenson Button. Em 14 classificações, Villeneuve largou apenas seis vezes à frente do inglês. Contudo o maior indicador da superioridade de Button está na tabela de pontos. O ex-pupilo de Frank Williams faturou 17, enquanto Villeneuve amargou apenas seis.
Particularmente, não acredito que o talento de JV tenha acabado, especialmente de modo tão rápido. Muitos chefões da F-1 devem pensar o mesmo. Bom para Villeneuve. Melhor ainda para Vilanova, que logo voltará a ver o ídolo guiar sem pressão em outro time da F-1 ou lá pelos Estados Unidos.
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