A bola da vez

Papo Ligeiro, 11 de julho de 2003

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Primeiro foi a McLaren que dominou com sobras as três primeiras etapas da temporada. Depois foi a vez da Ferrari, por meio de Michael Schumacher, retomar o “domínio vermelho” na categoria. E agora é a vez da Williams ser considerada a dona do melhor equipamento desse ano “cíclico” na Fórmula-1.

Nos últimos quatro GPs, a equipe de Grove faturou três vitórias: duas com Ralf Schumacher (Nürburgring e Magny-Cours) e uma com Juan Pablo Montoya (Monte Carlo). Além disso, conquistou 65 dos 72 pontos possíveis nessas corridas, embolando de vez a disputa pelas primeiras posições da classificação do campeonato de Pilotos. Desempenho que recebeu elogios até de Michael Schumacher. “Nós (da Ferrari) estamos atrás da Williams”, declarou o alemão.

Inegavelmente o chassi FW25 evoluiu bastante desde o início da temporada. É bem mais equilibrado. Mas os grandes triunfos da equipe de Frank Williams são os pneus Michelin, o motor BMW e o combustível Petrobras.

Em 1998, quando assinou contrato para o fornecimento de combustível à Williams, a cúpula da Petrobras se viu em meio a um “mar de desconfiança”. Desconfiança não propriamente dos gringos, mas sim dos próprios brasileiros. Exceção feita à safra de pilotos, nosso Brasilzão nunca teve experiências positivas na F-1 na área técnica - vide Copersucar. Porém o excelente trabalho vem credenciando a petrolífera brasileira entre uma das melhores fornecedoras de combustível da categoria e peça importante no atual progresso da equipe inglesa.

Conforme declaração do coordenador técnico de Esporte Motor da Petrobras, Rogério Gonçalves, a gasolina brazuca proporcionou um acréscimo de meio por cento à potência do propulsor BMW. Com isso o motor alemão, originalmente detentor de 900 cavalos de potência, passa a ter quase 905. Talvez não pareça ganho expressivo, mas é suficiente para derrubar importantes décimos de segundo nas pistas.

Além de potência, o propulsor BMW é confiável. A versão P83 estreou no GP do Canadá e, até agora, não contabiliza quebra. Já sobre os pneus Michelin talvez fosse até desnecessário comentar. Na etapa francesa, foi provado mais uma vez que os compostos da marca possuem boa vantagem em relação aos fornecidos pela Bridgestone, especialmente sob alta temperatura – durante a corrida em Magny-Cours, a temperatura sempre esteve na casa dos 30º C.

Em vista todos os pontos positivos do carro, fica claro que a Williams terá ótimas chances nas duas próximas etapas do calendário, que ocorrem em Silverstone e Höckenheim, circuitos com alta média de velocidade por volta.

Mantenho o voto do início do ano. Schumacher vai ser hexa em 2003. Além de melhor piloto, o alemão está na equipe com melhor estrutura da Fórmula-1 e certamente fará a diferença na hora da decisão. Mas não há como negar que a Williams é a bola da vez na categoria da FIA.

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