A boa proposta de Gary Anderson

Papo Ligeiro, 20 de maio de 2003

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Embora esteja em fase “iluminada” no quesito esportivo, com corridas repletas de disputas e ultrapassagens, a Fórmula-1 passa por um momento agitado na área política. Desde as últimas semanas, dirigentes das equipes do certame discutem um modo de conter os gastos exorbitantes dos times durante uma temporada. Não é segredo a ninguém que a F-1 tornou-se uma categoria, digamos, “altamente cara” na última década. Para se ter uma noção, a Benetton faturou o campeonato de Pilotos de 1994 com orçamento anual estimado em US$ 14 milhões. Atualmente a Minardi, considerada a equipe mais pobre da categoria, gasta aproximadamente US$ 50 milhões! E, durante o fim de semana do Grande Prêmio da Espanha, o diretor técnico da Jordan, Gary Anderson, exibiu a ideia de que a sexta-feira fosse utilizada apenas para testes.

De fato, trata-se de uma boa proposta.

Com a realização de testes na sexta-feira (e de treinos livres aos sábados), testes privados e coletivos poderiam ser reduzidos. As equipes teriam a oportunidade de avaliar novos componentes no carro durante os testes da sexta-feira e, no dia seguinte, com quatro horas disponíveis para treinamentos, buscar o melhor acerto para o equipamento. E ainda há uma vantagem incontestável: tudo ocorreria na “praça” do GP! Em outras palavras, nada melhor que avaliar o rendimento de determinado componente do carro para, por exemplo, uma etapa em Interlagos justamente em... Interlagos!

Outra virtude da proposta de Anderson é que esses testes também poderiam virar uma “fonte alternativa” de dinheiro aos times da F-1, disponibilizando carros para pilotos pagantes nas sessões livres. Imagine, por exemplo, um japonês colocando, em uma “paupérrima” Minardi, o capital de patrocinadores da terra do sol nascente em Suzuka? Seria algo que arrancaria um sorriso de orelha-a-orelha do proprietário do time ítalo-australiano, Paul Stodartt.

No pacote de alterações sugerido por Anderson, o treino oficial passaria a ser disputado em duas sessões. Uma no sábado e outra no domingo, pouco antes da corrida. E isso também seria um incentivo às emissoras de televisão responsáveis pela cobertura jornalística da Fórmula-1. Não precisa ser nenhum profissional de marketing para perceber que o espaço entre a sessão classificatória decisiva e a corrida, ambas realizadas aos domingos, poderia ser bastante explorado pelos patrocinadores.

O grande problema para a aprovação dessas ideias no entanto não é a FIA, mas sim as grandes equipes. Ferrari, Williams, McLaren e até mesmo a Renault possuem boas reservas financeiras e certamente não abririam mão de suas dezenas de testes particulares, nos quais acreditam desenvolver melhor seus monopostos.

Claro. A proposta de Anderson não seria "salva-pátria" da Fórmula-1. Ainda há muito que possa ser feito para conter gastos na categoria, como a abolição de alguns aparatos tecnológicos dos carros. Mas, diante de um quadro econômico pouco animador, atitudes como corte de despesas e criatividade sempre devem ser bem-vindos.

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