Papo Ligeiro, 8 de abril de 2003
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Vitórias nas três corridas do ano*, 41 dos 56 pontos disputados, líder nos mundiais de Pilotos e de Construtores. Não há como negar: a McLaren está no topo dessa recém-nascida temporada de Fórmula-1. E mais que superar um anunciado favoritismo da Ferrari, o time anglo-alemão se recupera bem da participação apática no campeonato de 2002.
É bem verdade que as mudanças no regulamento tem parcela de responsabilidade no sucesso da McLaren nesse início de certame. Porém, o “poder de fogo” da equipe de Woking sempre foi inquestionável. Até mesmo em seus piores momentos. Recentemente, verificando página por página de algumas revistas de automobilismo do ano passado – quando o time amargou o terceiro lugar nos Construtores, com apenas uma vitória – encontrei num trecho de coluna do jornalista Lito Cavalcanti (Racing edição 93) o pensamento que resume de modo extremamente correto a força da equipe de Ron Dennis. “Queda momentânea”, escreveu o jornalista. “Momentânea sim, mas não se enganem. Ron Dennis ainda reúne tudo o que é necessário para vencer corridas e campeonatos. Se não o faz agora é porque está em fase de plantio, mas vai colher frutos bem mais doces no futuro”, afirmou.
De fato, Lito estava correto. A McLaren passou por maus bocados em 2002, mas muito foi feito para o desenvolvimento do equipamento desse ano. Primeiro: a equipe se opôs à velha filosofia de “recomeçar do zero”, com um novo carro, e decidiu trabalhar com o modelo da temporada passada, o surrado MP4-17, rebatizado MP4-17D. Decisão perfeita. Por meio do conhecimento de um ano com o equipamento e sem pressão por resultados, correções aerodinâmicas foram efetuadas por Adrian Newey, inegavelmente um dos melhores projetistas do automobilismo mundial, e testadas exaustivamente na pré-temporada. Méritos ainda da Mercedes-Benz, que também trabalhou com o antigo propulsor FO110M. Se a durabilidade ainda é um problema – o motor do carro de Coulthard deixou o britânico na mão logo no início do GP da Malásia, a potência melhorou bastante em relação a exibida pelo propulsor do ano passado. Além disso, os pneus da Michelin continuam em franca ascendência diante da rival Bridgestone. O desempenho do carro agrada, tanto que o MP4-18, inicialmente projetado para entrar nas pistas no Grande Prêmio de San Marino, estreia apenas duas etapas depois, na Áustria. Isso se a competitividade do MP4-17D “deixar”...
Também é necessário valorizar o trabalho dos pilotos, incluso o test driver Alexander Wurz, que participou de grande parte dos testes da equipe. Apesar de não ser um entusiasma por David Coulthard (certamente assim como você), temos de reconhecer que a experiência do escocês é bastante importante, valoroso ponto de referência do time. Além de tudo, é sim um bom piloto, que costuma estar em hora e local corretos - vide a vitória após na abertura da temporada, na Austrália, quando, ao contrário dos rivais, não cometeu erros incisivos na pista. Além disso, DC não oferece grande rivalidade ao companheiro de equipe, o futuro campeão Kimi Räikkönen. Esse sim, um futuro campeão, já adaptado à estrutura da escuderia de Woking. Assombrou a concorrências nas três primeiras etapas e é líder da temporada com 26 pontos, 13 à frente de Coulthard.
Logicamente, a Fórmula-1 é uma categoria bastante “cíclica”: numa época se vence, noutra nem se convence. Muito poderá mudar quando a Ferrari tirar o F2003 GA do guarda-roupa. Mas se a McLaren disparar nesse início de temporada vai ser difícil para as rivais alcançarem as “flechas de prata” (acorda Luca, Jean e Ross!!!).
Nota: O fechamento desse artigo ocorreu antes que a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) transferisse a vitória do Grande Prêmio do Brasil de Kimi Räikkönen, da McLaren, para Giancarlo Fisichella, da Jordan.