Papo Ligeiro, 23 de setembro de 2005
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Mesmo depois de um resultado pouco expressivo de Rubens Barrichello no último domingo, em Interlagos, confesso que aumentou minha admiração por esse tupiniquim. Não pelo que o outrora aclamado por ele mesmo “brasileirinho” fez a bordo de um monoposto de Fórmula-1. Mas sim por, além de aceitar com serenidade o fato de ter em mãos um carro que não proporcionava a chance de vencer em casa – situação distinta dos cinco GPs Brasil anteriores, mostrar uma postura agora inteligente e repleta de maturidade para a condução de sua carreira.
Tudo bem. É bem verdade que, vez ou outra, o brazuca ainda solta aqueles "choramingos", típicos de pilotos estreantes, aos jornalistas. Algumas vezes com razão; outras – leia-se grande maioria das ocasiões – sem uma justificativa admissível. Porém, dois momentos de Rubinho durante o GP Brasil chamaram minha atenção. Primeiro: o agradecimento a Jenson Button – que será companheiro do brasileiro na BAR em 2006 – após ultrapassar o inglês na briga pelo sexto lugar da corrida. Já o segundo ocorreu antes da largada. Questionado pelo excelente repórter Pedro Bassan, da Rede Globo, sobre o bom relacionamento com os conterrâneos Felipe Massa e Antônio Pizzonia, Rubens respondeu algo do tipo, nas entrelinhas: "a vida é muito curta para não se ter um bom relacionamento com as pessoas".
Aparentemente, essas são situações comuns. Mas, em ambos casos, evidenciou-se que o estado de espírito do paulistano anda muito bem. A resposta para Bassan, por exemplo, fugiu totalmente daquele já surrado discurso político de esportistas, que bastam ver um microfone à frente de si para começarem a rasgar elogios e declarações de respeito até mesmo ao rival mais odiado. As palavras de Rubens soam como um convite à reflexão, ao pensamento, assim como Ayrton Senna fizera constantemente ao longo da carreira. Além disso, a declaração partiu em momento importante, afinal, é comum olharmos o lado frio e calculista da Fórmula-1, em que o profissionalismo parece abafar sentimentos como a amizade e companheirismo fora das pistas.
Principal representante do Brasil na F-1 há 11 anos, Rubens conhece como poucos a posição de Massa, Pizzonia e outros jovens que almejam sucesso na categoria. Durante seus primeiros passos na F-1, tudo o que Barrichello queria era ter Senna como um orientador. E logo durante os treinos para a corrida de estréia de Rubinho, na África do Sul, Ayrton passou no box da Jordan e deu uns toques – inclusive de ajustes do carro – ao compatriota.
Senna morreu em 1994; coube a Rubens o legado de um País com oito títulos mundiais e que criou, em seqüência, três mitos das pistas. Daí, notamos ainda outra virtude de Barrichello: a longanimidade.
Mesmo em épocas de pouca competitividade na Jordan e Stewart, o brasileiro não sucumbiu à tentação de buscar as vitórias nas categorias dos Estados Unidos. Continuou centrado no objetivo de alcançar um time grande na F-1, algo que conseguiu em 2000, com a Ferrari. E hoje, aos 33 anos, ainda vê um novo e interessante desafio na BAR. "Me sinto um garotão em termos de competitividade", disse o brasileiro em matéria publicada no jornal O Estado de São Paulo, na última segunda-feira (26).
Logicamente, Ferrari é grande em qualquer ocasião e não duvidem que virá forte para 2006. Já a BAR é uma promessa. Porém, diante da renovação constante e indissociável nos postos de F-1 – especialmente diante da busca por jovens talentos – e pelo fato de inegavelmente estar entrando na reta final de sua carreira, Rubinho até fez bom negócio ao partir à BAR. Além de peça importante no desenvolvimento de uma equipe de bom porte e dotada de parceiras de peso, Rubens encontrará uma estrutura mais democrática, ou, em outras palavras, não viverá à sombra de outro piloto. Aliás, algo que deixou claro na ultrapassagem sobre Button no "S" do Senna.
Se a manobra já serviria como um recado ao inglês, o arrojo da ultrapassagem soou como um aviso: "Meu chapa, olhe que eu faço isso novamente no ano que vem,... ". Logo, o agradecimento de Rubens pelo retrovisor de sua Ferrari ao britânico completa a frase anterior: "...lógico que de maneira desportiva, afinal, estou chegando para ajudar".
E não duvido que essa será a conduta desse bi vice-campeão na BAR, em 2006. Além de talento, profissionalismo e competência nas pistas, Rubens é bom caráter, costuma se relacionar bem com companheiros e membros de equipe. Button é um garoto inteligente e polido, dificilmente haverá confusão entre ambos. De qualquer maneira, Barrichello sabe que superar o piloto da terra dos Beatles será algo tão fundamental para esse momento da carreira quanto fazer a BAR crescer e lutar constantemente por pontos e pódios. Por sinal, disputa interna que promete ser uma das mais interessantes e equilibradas do próximo campeonato.
Em Interlagos, Rubens mandou seu recado. E quem avisa, tenha certeza que amigo é.
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Domingo dos campeões – E o domingo realmente foi dos campeões. Além de Fernando Alonso na Fórmula-1 e Dan Wheldon, na IRL, outro piloto confirmou o título de 2005 em uma das mais importantes categorias do esporte a motor: "O Doutor" Valentino Rossi levantou mais um caneco no Mundial de Motovelocidade, o MotoGP.
Sai para lá! – E enfim a Chip Ganassi deu um chute na má fase durante a temporada 2005 da Indy Racing League. No domingo, o neozelandês Scott Dixon venceu o Grande Prêmio de Watkins Glen, 16ª e penúltima etapa do campeonato. Com o resultado, Dixon colocou ponto final em uma seqüência de quase 40 provas sem vitórias da equipe tetracampeã da Champ Car e vencedora de 2003 na IRL. A última vitória da escuderia havia ocorrido na etapa de Richmond de 2003.
Pinta de campeão – E na estréia da A1GP,
Começo positivo – Belo início de história também para A1GP, com corridas disputadas e a promessa de uma temporada interessante. Aliás, categoria que será assunto nas próximas colunas.
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