Papo Ligeiro, 16 de dezembro de 2002
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Criada em 1985 para ser a principal categoria de acesso à Fórmula-1, a Fórmula-3000 está, literalmente, na UTI. E nessa segunda-feira, mais um agravante: a Nordic Racing, uma das principais equipes e campeã da temporada 2001 com o inglês Justin Wilson, anunciou o encerramento de suas atividades no automobilismo.
Embora a ausência da Nordic no próximo ano seja a aposentadoria do dono, Derek Mower – não problemas financeiros, o time, um dos mais populares da categoria, fará muita falta à F-3000. Aliás, algumas equipes do certame ficaram pelo caminho por causa de problemas financeiros em 2002. Outras passam por período turbulento. A Den Bla Avis perdeu o importante patrocínio da Petrobras. Má notícia também ao automobilismo brasileiro, pois a parceria entre a estatal e a equipe garantia os dois postos da escuderia para pilotos do País. Red Bull e European Minardi faliram, mas por sorte tiveram os espólios adquiridos, respectivamente, pela Brand Engeneering e Coloni – que terá quatro carros no próximo ano. Contudo, não se pode esperar um grid dos maiores em 2003. Talvez possa até ser inferior ao de 2002, quando 20 carros alinharam nas etapas da categoria.
Mas quais motivos causam tamanha crise? A resposta é simples: a elevação dos gastos no certame, o “fim” da superlicença e o crescimento da Telefónica World Series.
Entre um dos vilões está a adoção de um novo chassi, o Lola B2/50, que custa mais que o antecessor. Desde 1999, quando a Fórmula-1 passou a ter maior proximidade com a categoria – e criou-se aquela “necessidade” de tentar tornar os F-3000 mais semelhantes aos F-1, diversas equipes faliram. Ao final da temporada 2001, cinco times deixaram o campeonato.
E o aumento na tecnologia - culminado pela adoção do B2/50, criou um abismo entre equipes “ricas” e “pobres”, algo terrível em uma categoria que preza, teoricamente, pelo equilíbrio. Com o “fim” da superlicença - documento necessário para guiar na Fórmula-1, a categoria também perdeu muito. Antes, apenas os campeões de F-3000 e da F-3 inglesa poderiam entrar diretamente na F-1. Mas com algumas modestas equipes da categoria máxima do esporte a motor passando apuros e dependendo do “checão” de alguns pilotos com passagens insólitas por categorias de base, a superlicença ficou mais fácil de ser adquirida.
Vale ressaltar que, curiosamente, alguns dos últimos talentos recrutados pela Fórmula-1, como Kimi Räikkönen e Felipe Massa, não vieram do Mundial de F-3000. E o sucesso deles faz com que a F-1 continue garimpando mais gente nova e boa de braço em outras “vitrines”, como a Telefónica World Series. O crescimento do campeonato espanhol assusta. E há vantagens em relação a F-3000. Além dos carros serem em média 1s5 mais velozes que os bólidos da categoria de base da FIA, a TWS atrai novas equipes e alguns pilotos experientes graças aos prêmios milionários e pelo custo de uma temporada. Na World Series, uma equipe gasta, em média, US$ 750 mil por carro. Já na F-3000, um ano não sai por menos de US$ 2 milhões...
De fato, é a morte anunciada da Fórmula-3000.